PROCEDIMENTOS REPARADORES

ENXERTO DE PELE

Sobre o procedimento

Uma das técnicas mais utilizadas nos procedimentos cirúrgicos reparadores é o enxerto de pele. Este método visa ‘cobrir’ feridas causadas por queimaduras, traumatismos, necrose cutânea, entre outras. Sendo assim, o enxerto cutâneo é indicado quando a lesão tem fechamento primário difícil ou não há tecido suficiente para cobrir a ferida, especialmente nos membros inferiores e superiores. Um enxerto é um pedaço de pele retirado de uma área corpórea – a área doadora –e transferida a outra, a área receptora, restabelecendo assim um novo suprimento sanguíneo.

Sobre o Procedimento

Os enxertos podem ser classificados em:

  • Enxerto de pele total: caracteriza-se pela presença da epiderme e a total espessura da derme;
  • Enxerto de pele parcial: caracteriza-se pela preservação da derme na área doadora, possibilitando assim a reepitelização da mesma, por meio das células epiteliais procedentes dos sistemas pilossebáceos e das glândulas sudoríparas remanescentes na área doadora;
  • Enxertos compostos: consiste de uma porção intacta contendo toda epiderme e a derme, com um componente adicional de gordura ou cartilagem. Ex: enxerto condrocutâneo (pele conectada a uma das faces da cartilagem), enxerto condrobicutâneo (pele conectada em ambas as faces da cartilagem), enxerto dermogorduroso (derme com tecido gorduroso);
  • Auto-enxerto: quando o doador e o receptor são o mesmo indivíduo. Este é o enxerto proposto para a maioria dos casos.
  • Homoenxerto ou aloenxerto: quando o doador e o receptor são indivíduos diferentes, porém da mesma espécie. Ex: curativo biológico (utilizado de forma temporária);
  • Isoenxerto: quando o doador e o receptor são indivíduos diferentes, porém geneticamente idênticos. Ex: gêmeos univitelinos;
  • Xenoenxerto: quando o doador e o receptor são indivíduos de espécies diferentes. Ex: curativo biológico (pele de tilápia utilizada em seres humanos).

Onde se localizam as cicatrizes

Do procedimento cirúrgico sempre advirá uma cicatriz de caráter permanente, tanto na área doadora, quanto na área receptora e sua extensão dependerá do tamanho da ferida a ser coberta. Portanto, haverá cicatriz na área da ferida e também na área doadora (geralmente utiliza-se como área doadora a região das coxas).

Tipo de anestesia

Anestesia Geral.

Duração do ato cirúrgico

Em média 1h30 a 4 horas, a depender da extensão da ferida.

O tempo de ato cirúrgico não deve ser confundido com o tempo de permanência do paciente no ambiente de Centro Cirúrgico, pois esta permanência envolve também o período de preparação anestésica e recuperação pós-operatória. 

Internação

Geralmente 24 horas.

Curativos

Na área receptora, o curativo é mantido fechado por 7 dias (curativo de Brown); na área doadora geralmente utilizamos curativo antimicrobiano com prata, que é mantido fechado por 7 a 14 dias.

Sobretudo, qualquer reação alérgica ou sangramento dos curativos deve ser imediatamente comunicada ao Dr. Diego Rovaris

Retirada de pontos

Geralmente entre 7 e 21 dias de pós-operatório, a depender da localização da ferida.

Riscos

Toda cirurgia envolve algum tipo de risco à saúde. Entretanto, este risco varia conforme o tipo de cirurgia; as condições clínicas pré-cirúrgicas do paciente; as características individuais; predisposições hereditárias (de nascença); o tempo de duração da cirurgia e o tipo de anestesia realizada.

O fumo, o uso de anticoncepcional oral e hormônios, bem como o consumo de drogas lícitas e ilícitas, álcool e o uso de substâncias e medicamentos não informados ao cirurgião, podem desencadear complicações durante e após a cirurgia, aumentando o seu risco.

Existe a possibilidade, ainda que remota, de ocorrerem complicações leves, moderadas ou graves, tais como: cicatrização hipertrófica, queloide, abertura de pontos, sangramento, infecção, tromboses venosas profundas, embolias pulmonares, infartos, arritmias cardíacas, derrames, isquemias cerebrais e, mais raramente, óbito (morte).

Resultado

A melhora a ser obtida com o enxerto de pele, será baseada na situação inicial pré-operatória individual e não em comparação a outros pacientes, ou um eventual padrão de beleza. É possível que ocorra a perda total ou parcial do enxerto

Geralmente, a perda ocorre por sangramento, serosidade abaixo do enxerto, infecção ou mobilidade do enxerto. Caso isso ocorra, poderá ser necessário curativos por tempo determinado na área receptora ou nova cirurgia de auto enxertia cutânea, utilizando-se de nova área doadora.

Orientações pós-operatórias
  • Sempre lavar as mãos antes de tocar na região da cirurgia; Obedecer e seguir a receita médica entregue na alta hospitalar;
  • Movimente várias vezes os pés e as pernas. A cada 2 horas deitada, caminhe 10 minutos. Caso a ferida não seja na perna, é aconselhável o uso de meia elástica durante 30 dias após a cirurgia, como medida preventiva à trombose profunda e embolia;
  • Obedeça às instruções dadas por ocasião da alta hospitalar sobre a movimentação dos membros superiores ou massagens. Massagem nas cicatrizes será instruída após 21 dias;
  • Utilizar cremes/óleos recomendados pelo Dr. Diego Rovaris após a retirada dos pontos (rosa mosqueta/biooil);
  • Não dirigir carro e moto antes da liberação médica;
  • Não realizar atividade física (academia) antes da liberação médica;
  • Não molhar o curativo da área doadora e receptora sem liberação médica. Mantenha sempre limpo e seco o curativo. Não usar algodão ou papel para higienizar a cicatriz;
  • Não expor a cicatriz ao sol por no mínimo 18 meses. A exposição ao sol gera o escurecimento da cicatriz;
  • Qualquer aparecimento de espinhas, alergia ou vermelhidão deve informar imediatamente ao médico;
  • Evitar ganho de peso que poderá prejudicar a sua cirurgia e as cicatrizes.
Orientações gerais
  • Alimentação: priorize uma alimentação balanceada, rica em frutas, verduras e legumes. Não ingerir frutos do mar, camarão, carne de porco, pimenta, shoyo, gorduras, frituras e alimentos condimentados;
  • Caso você tenha animal de estimação em casa (cão ou gato), evite contato direto com eles nos primeiros 20 dias de pós-operatório e, em hipótese alguma os deixe subir em seu leito. O contato com qualquer tipo de secreção (especialmente a saliva de cães e gatos) pode elevar o risco de contrair uma infecção com consequências potencialmente sérias; 
  • Voltar ao consultório para acompanhamento e curativos, nos dias e horários estipulados; 
  • Tire com seu cirurgião plástico, e somente com ele, eventuais dúvidas;
  • É importante ter em mente que o bom resultado final de sua cirurgia também depende de você.